Sobre representatividade, #SomosTodos e o que mais eu quiser

Eu tenho um blog! Eu o abandono com frequência, mas aí lembro que ele custou 99 dólares e então eu volto. Hoje eu voltei por uma agonia X que tá comigo o tempo todo, mas que tem horas, bate forte. Hoje bateu.

Eu fico pensando sobre representatividade, sobre essa “esquerda” que tá no governo, tá nos movimentos sociais e me representa tanto quanto o MBL. É a mesma cegueira com roupas diferentes (Nem tanto!). Gente rica que se aboletou nos poucos lugares de fala de gente pobre e acha que tem o monopólio da palavra pra expressar nossas dores, nossos anseios.

Sei lá eu se por não conhecer nada de mundo real, ou se por má fé, essa galera taí na ilusão de que agora existe um governo que representa excluídos por que ela tá lá, falando por nós, intervindo nas políticas por nós. Porra nenhuma! Eu, que já não posso representar os não representados no governo, mulher, negra, já não pobre (Posso ficar a qualquer momento. O desemprego taí, à espreita!) me incomodo com esse povo que acha que pode falar por mim, que faz um governo de bosta e o publiciza por meio de uma comunicação de merda. Imagina quem é pobre mesmo e precisa só engolir toda essa besteirada!

A gente vivia um governo de direita sem representatividade. Fato. Aí veio um governo de “esquerda” em que o espaço de fala saiu da mão dos coronéis, dos donos do capital e foi parar na mão dos filhos deles! Gente que era revolts com o papai riquinho, que adora um projeto social pra se sentir bem, mas que não faz nenhuma diferença na vida real das pessoas desse país.

Eu tenho pra mim que não é a exceção que faz revolução. Nessa hora o que conta é estatística. Não adianta um Criança Esperança me vir com seu vídeo de milhares de crianças amparadas pelos projetos deles se tem milhões de crianças pobres nas ruas, se drogando, se prostituindo. Ah, mas aí a gente não vai ajudar um se não puder ajudar todos? Claro que não, burrão! Vai ajudar. Mas não vai gritar que isso aí é grande coisa, porque não é!

Essa comemoração de “salvei um” nada mais é que meritocracia. A gente internalizou essa porra. Não adianta. Mas a gente precisa se vigiar, precisa parar de achar que o bom é o cara pobre que virou ministro do STF. Ele é exceção! A gente não pode engolir sem pensar que valeu por uma geração a mina que conseguiu ir estudar na Europa. Ela é exceção. Essa exceções são boas. Mas são só isso. São só exceção. E exceção, eu já disse, não faz revolução.

Voltando pra quem tem lugar de fala hoje em dia. A galera da exceção veio em peso, se aboletou em cada canto do poder, assim como seus papais coronéis e tá dizendo que fala por nós. É a galera de simpósio sobre pobreza, a maldita classe média que enche a boca pra dizer que “já foi pobre”. Mano! Cês me racham a cara! Galera tá dando carteirada de pobreza. Que fase! E representa a quem? Fala por quem?

Eu acho que cada voz dessas, elite ~pensante~, classe média ex-pobre que fala, cala milhões de bocas. Bocas que tem pouco tempo pra falar entre acordar cedo, pegar ônibus pro trabalho, trabalhar em outros subempregos (Já não somos mais todos empregados domésticos. A gente diversificou indo pra lanchonetes fastfood, lojas de departamento, centrais de telemarketing.), com tempo, com sorte, ir pra um curso a noite numa faculdade ruim e torcer pra virar exceção.

Eu acho que a gente sonhou com mais que isso! Eu sonhei. Sonhei com uma educação universal e não exceção. E não adianta dar bancos de escola com péssimo ensino. Não adianta dar poder de compra e não dar espaço de fala. Adiantou. Mas foi parcial. Foi exceção. Eu quero revolução! E não, não #SomosTodos. Nunca! A gente é cada um. A gente não se junta e todo problema do mundo não é o que tá na televisão. A televisão é exceção, não revolução. Sabe por que? Porque a revolução não será televisionada, trouxa!

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